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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Na bolhinha de amor

Não estou desistindo. Não abro mão de ser feliz, essa é a diferença. Eu quero é me sentir viva, sentir cada emoção correndo por cada um dos meus vasinhos, chorar até ficar de cara inchada, sorrir até ter cãibra nos músculos do meu rosto. Quero ouvir palavras difíceis nas declarações de amor: incomensurável, atemporal, indescritível...

É tão estranho sentir e não sentir. Sentir e não ver o que está acontecendo. Sentir e não ter provas de que alguém mais também o sente.

Será que ninguém mais pensa como eu? É assim tão brega e antiquado querer que existam românticos que escolhem viver o amor como prioridade? Eu não largo minha fé. Não desisto da minha ideia de que vale a pena.

Existe, sim, um mundo mais colorido dentro da bolhinha de amor que tanto falam por aí. Quem não fica mais feliz quando recebe aquela mensagem, um bilhetinho simples dizendo que tudo fica melhor quando você está por perto? Quem não explode em estrelinhas e confetes quando alguém diz que é mais importante estar com você do que fazer qualquer outra coisa, estar em qualquer outra festa, reunião ou sei lá?

Há quem ache que um eu te amo cura qualquer ferida. Eu digo: não cura as minhas.
Não quando é tão fácil dizer algo sem precisar provar, demonstrar, sentir até o mais profundo dos significados o que se está dizendo. Eu escolho sentir e mostrar a todo mundo o que estou sentindo. Isso me faz mais feliz, mais leve, mais real. Isso me faz usar todos os sentidos para viver o que estou sentindo.

Quero ver minhas emoções nas fotos que alguém se orgulha em mostrar, quero ouvir as palavras que não pude compor nas canções que esse alguém insiste em me dedicar... É isso que eu quero. Um amor brega, antiquado, que seja, mas que me faça achar que tudo isso é real, e que não é também. Quero me sentir em um filme, quero ser a musa da minha música favorita, quero ter as fotos mais melosas espalhadas por aí... Quero faixas com meu nome, camisetas com minha foto e todos os exageros possíveis e impossíveis de se pensar.

Não, não quero um escravo, um devoto. Só desejo achar alguém que faça o que eu faria, que me ame com todo o orgulho com que eu me permito amar. Alguém que me conquiste de todas as formas e que queira continuar me conquistando, porque é isso que acho que é o amor.

domingo, 7 de outubro de 2012

Enciclopédia

Um dos maiores desafios a quem escreve é pesar e resumir em um simples texto todo o turbilhão de emoções que se está sentindo. Ainda assim, quando se escreve é feito um convite para que quem lê viaje pelos nossos momentos, pelas sensações as quais estamos tentando descrever.


Ninguém é obrigado a amar do mesmo jeito. 


Sei disso. Sei que passamos por experiências incomparáveis, temos personalidades distintas, gostos estranhos e complementares. Sei, ainda, que nos aproximamos muito mais por achar que o outro seria capaz de suprir as lacunas que temos, de viver o que não pudemos e nos realizar quando dessa forma de um completar o outro, feito um quebra-cabeças.

Por vezes isso até funciona. Eu ganho os muitos amigos que você tem, sua extroversão, você ganha a minha concentração e determinação. A minha profundidade.

Mas, imagina só: se eu sou assim tão profunda, severa e sensível, qual será o volume de emoções, sensações e expectativas que carrego no poço que é a minha alma? E se fôssemos, então, compartilhar tudo que somos e temos, como você comportaria metade do meu ser se não cabe na sua leveza e facilidade? Como poderia eu caber nessa sua vida que é tão simples e feliz como uma gota de orvalho que escorre saltitante num campo florido?

Não é que eu prefira sofrer por quase tudo. Eu prefiro mesmo é viver tudo com toda a intensidade emocional possível, com toda a minha essência. Não é fazer coisas impensadas, ser vida louca nem nada... É simplesmente viver e sentir de verdade, com vontade, com doação, o que me proponho a viver.

Às vezes sinto que não caibo na sua vida. O espaço que você tem pra mim é de toda a qualidade, com tudo o que eu sempre sonhei, mas não cabe minha bagagem. Não cabe o vestuário da alma que carrego comigo.

Você não tem o meu jeito de amar e querer gritar e pular por aí, mostrar a todo mundo, fotografar, pintar, desenhar, registrar de todas as formas... Seu amor é discreto, contido, disfarçado. É versão de bolso.

O meu é enciclopédia.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Em branco #01


Dialógica



Sabe, caro leitor, não é fácil sentar aqui com algum tipo de artifício para escrever e sair dialogando com vossa senhoria. Aliás, é fácil sim, certas vezes, quando um escritor qualquer (não qualquer um, mas todos que vos escrevem podem passar pelo mesmo então digamos que eu tentei generalizar) encontra-se explodindo de ideias que já vêm organizadas, enfileiradas e prontas para pular de sua cabeça, boca ou mãos de forma a se materializar como a fumaça que sai do fogo ardente. Aí sim, é fácil. Cuspir delicada e sutilmente cada pensamento ou viagem que permeia a vida inútil de um escritor.

Gostei dessa palavra: permear. "Passar através dos poros", como diria qualquer dicionário consultado.
Pois bem, nem todas as ideias passam facilmente pelos poros, e nem todo escritor é assim tão permeável a elas. Na maioria das vezes leva-se uma eternidade para selecionar, catalogar e por fim mostrar o que nasce de si, e isso quando não morre no meio do caminho, seja a ideia ou o escritor. Outra coisa é que por esse fato de tão necessária ser a transpiração para dar vida a esse diálogo leitor-escritor, quase que escritor algum admite o ofício.
Eu mesma, jamais me diria escritora. Escrevo, sim, mas apenas como meio de conversar sobre nossas queixas, frustrações e esperanças comuns, e vos chamo leitor apenas pelo sentido literal da palavra: aquele que lê.
Não, não, por favor não interprete como mesnosprezo, só estou tentando explicar que o que escrevo não é lá a melhor coisa para se ler.
Vejamos o porquê...


Cada uma de minhas histórias foi mesmo real, não completamente, nos detalhes e em algumas características eu pus fantasia sim, pois de algum modo a leitura deveria ficar mais interessante para ao menos garantir atenção até o final. E lhes digo que foram reais não por serem meros relatos de minhas experiências pois não são, aliás, algumas delas nem mesmo foram experienciadas, mas por representarem mesmo chances de viver coisas novas.

Digamos que a minha velha personagem favorita (os que me acompanham devem saber qual é) tenha encontrado pelo seu caminho alguns livros com lacunas (espaços de páginas em branco) e resolvera escrever nelas para deixar o tal livro todo completinho, sem um espaço sequer.
É assim que tem sido minha vida, como esse livro com lacunas, e eu tento preenchê-las com novas histórias, as quais sempre conto aqui para vocês.
E cada nova sensação, percepção ou fantasia é posta em palavras nessas historinhas que vos falo, e enquanto você me lê, ela vai se tornando real também para mim.









Agora cabe a vossa senhoria julgar as coisas que eu devo ter como reais.
Para isso, não lhe custa ler mais dos meus tapa-buracos...




Inté.

sábado, 31 de outubro de 2009

Recomeços

E a vida continua...





É feito o dia que se acaba aos poucos e dá lugar à noite, ora sombria ora encantadora. É feito a noite que cessa quando nasce o sol e tudo começa de novo, recomeça, renasce. É como acordar todas as manhãs (ou tardes, vai se saber) sem ter idéia do que vai acontecer durante o resto do dia apesar de todos os planos e compromissos.

Assim é a vida, comparável a vários pedaços dela mesma, e de nós mesmos em algumas vezes. Nós levamos quedas cuja serventia é nos chacoalhar ou testar a nossa determinação diante das circunstâncias diversas, e o desafio é continuar... crescer mesmo depois dos machucados, e aprender sempre e com tudo. Ou melhor, quase tudo.

Fora a parte ruim que é se recuperar e fazer as feridas cicatrizarem, os recomeços são bem entusiasmantes, afinal aquele friozinho na barriga e sentir as mãos suando antes de alguma situação ainda desconhecida ou difícil de prever é sempre algo bom de se sentir... Então é só se deixar levar e valorizar as sensações mais simples, o cheirinho novo, o tato que tenta se adaptar, a nova postura que desenvolvemos frente às novas experiências ou qualquer que seja a mudança, deve ser vista e curtida da melhor forma possível.

Ahh, recomeços... Eu particularmente adoro as novas lutas, as novas descobertas e novas experiências então nem se fala! É como quando você sai do banho e se sente renovado, pronto pra outra, ou quando se levanta depois da sesta e a outra metade do dia parece até um dia completamente novo.

Não sei se ver a vida assim, como algo contínuo, girante e interminável, é completamente normal ou aceitável, mas eu me divirto e aprendo bastante com meus constantes recomeços. Por vezes é assustador sair de algo cujo controle já se tem, entretanto o sabor do desafio de conquistar outras coisas é frequentemente instigante.

Perdas no caminho? Inúmeras. Esse é o preço de estar num mundo que gira, nem tudo permanece no lugar. Mas tudo que é nosso volta, não é mesmo?

Enquanto esperamos, vamos vivendo o que aparecer...
Vamos recomeçando sempre que for preciso, e sempre que for possível.
Assim podemos crescer e nos renovar.










P.S.: Caros leitores, vai demorar um pouco até que eu pegue o jeito novamente. Nada como a falta de prática pra nos fazer parecer ridículos fazendo o que costumávamos fazer. Peço humildemente que apostem neste recomeço. Eu aposto na maioria deles...

sábado, 19 de setembro de 2009

Paixão pelo Platônico

Porque o infinito é transitório








É de se esperar que se pare de lutar quando o objetivo é alcançado. Entretanto, essa coisa de ter um objetivo não é pra qualquer um, pois é necessária uma energia e determinação que se adequem àquela lei do "tudo se transforma". Na verdade o objetivo nunca é alcançado, pois quando se chega bem perto ele foge e muda de lugar, e essa é a graça de ser determinado.

Bom mesmo é ter algo pelo que lutar, sofrer, pensar que foi derrotado e decidir virar o jogo. Instigante é ter algo inalcansável como objetivo e ir tornando-o acessível com esforços próprios. Ahh, que sensação boa a da conquista... Pena que não dura muito!

Essa paixão pelo impossível, o platônico que seduz, faz com que ao alcançar o desejado venha em conjunto um vazio. Aí é que entra a tal lei, como se o objeto de desejo fosse uma energia que só muda de forma e lugar, nunca deixando de existir, nos dando sempre algo pelo que correr atrás, pelo que disputar e mover montanhas.

Sendo assim, claro que é melhor querer o impossível. Torná-lo possível vai tirando a graça da conquista e conseguir só traz uma fome de determinação. Então se acha outro impossível para querer.



E é assim que o mundo gira...





Inté.





P.S.: Coma criativo, perdoem-me.

sábado, 5 de setembro de 2009

Mudar... por quê?


Para ter mais coisas pra viver





Já repararam que de vez em quando dá uma louca na gente e damos um pause na vida, mudamos algum detalhe e voltamos à rota? Aposto que todo mundo já passou por isso, mesmo que tenha sido durante a adolescência quando testamos todos os estereótipos possíveis pra ver o que nos deixa mais evidentes ou o que reforce mais a autoestima. Pois é... isso também acontece em outros momentos da vida, e com outro tipo de detalhes.

Mulheres mudam o tempo todo, procurando ajustar a atenção que querem ganhar. Mexem nas unhas, nas roupas, no sapato cujo salto cresce proporcionalmente à aceitação própria. Entretanto, se essas mudanças são muito frequentes isto pode não ser um bom sinal. É hora de rever o quanto o jeito de levar a vida está sendo satisfatório, o quanto está correta a quantidade de valor dada às coisas e se tudo o que faz parte do cotidiano escolhido está no lugar certo, ou pelo menos num lugar que faça tudo funcionar.

Depois das decepções sempre vem uma vontade de mudar. É justo, pois se algo deu errado é natural que se queira consertar ou trocar de caminho. Às vezes os seus amigos te surpreendem de um jeito negativo, ou suas escolhas profissionais não te satisfazem como você esperava. Sua roupa pode não estar caindo tão bem, seu estilo não é o mais elogiado. Falta alguma coisa. E como nem sempre dá para saber o que está errado ou está faltando, vai se mudando tudo o que der para mudar, implicando ganhos e perdas.

Aí entra a questão: é mesmo necessário achar o erro e consertar?
Tudo precisa estar funcionando perfeitamente, na proporção adequada, sem bugs, sem falhas?
A perfeição não torna as coisas monótonas, estáveis demais a ponto de não permitir que evoluam?
Então, mudar é bom, mas não se deve fazê-lo só pra achar o ponto de equilíbrio.
Aprendi esses dias que nem no corpo humano há equilíbrio, ao contrário, vários desequilíbrios é que dão a harmonia do seu funcionamento. E lá vamos nós com a anatomia filosófica de novo...
Prefiro aproveitar essa instabilidade e pensar nas falhas como oportunidades, de mudar e também de não mudar nada, pois deixar as coisas como estão depois da raiva ou da decepção é de certo modo um desafio.





Vamos ver então o que está por vir!





Inté.

domingo, 21 de junho de 2009

Escrever e outros verbos

O que representa?






A minha intenção inicial é discutir a relação do verbo e do ato de escrever com as outras funções involuntárias e vegetativas da vida, mas como vocês já sabem nem sempre a minha inspiração perdura até o fim do texto. Então vamos ver no que dá.


Já que falei em inspiração, que tal cogitar a falsidade de uma afirmação constante entre artistas: na arte é muito menos inspiração e muito mais transpiração. Digamos que eu discorde desse pensamento.
Se pensarmos que apenas a transpiração pode garantir o sucesso e a qualidade de qualquer obra artística, onde fica o crédito do dom, da diferente afinidade e, diríamos, vocação para fazer algo mais bem feito do que as outras pessoas? Pois, se um leigo qualquer pinta, escreve ou atua como um artista veterano, creditando-o apenas ao trabalho com que exercitou a arte, de que valerá o afinco com que o tal artista lapidou o que ele já, naturalmente, sabia fazer?
Aposto na inspiração.
Começando por mim que diversas vezes tentei escrever algo e não consegui por falta daquela inquietação característica de todo artista. Não que eu me considere artista, claro, mas afirmo que as frustações e as inquietações por elas causadas são precursoras da dita inspiração, e sem ela não há litros de suor que dêem qualidade a uma obra.

Agora que já perceberam que estou tomada pela inquietação há pouco referida, vamos ao objetivo deste texto: Escrever, o que representa?

Se me acompanham em minhas leituras e releituras do mundo, de como as coisas acontecem e como as pessoas reagem a estas coisas que acontecem, devem imaginar que para mim escrever é quase sinônimo de pensar. É incrível como fica mais límpido o raciocínio enquanto se escreve, e é bem mais fácil organizar as múltiplas idéias que se faz dos acontecimentos mais recentes e ainda de uma forma abrangente e resgatando uma memória de experimetações! Por isso eu tento escrever, e escrevo sem medo de estar sendo ridícula, pois o bem que me faz e que pode fazer a quem lê, mesmo que seja só pela experiência de saber outras opiniões, vale muito mais do que sair por aí apenas "vivendo" e descontando com atitudes desreguladas a frustração de não conseguir pensar direito. Como eu já disse, frustração vira inspiração, e com uma pitadinha de gramática vira arte e conhecimento!


E sobre sentir, escrever exerce alguma relação?
Sem dúvida! Está intrínseco. Não se pode sequer cogitar começar uma frase sem sentir o que ela representa. Sempre há um motivo, uma intenção. Sempre se quer suprir alguma falta quando se escreve, porque as palavras têm um peso e sobretudo uma densidade capazes de preencher vazios intermináveis. O texto, em si, já ocupa em parte o seu tempo, exercita a sua compreensão, resgata imagens e cria outras, religa ou cria ligações entre idéias, ou seja: projeta sentimentos.
Escrever, neste caso, é nada mais que expelir pelos dedos cada sensação obtida e torná-la imortal, pois quando o leitor passa com interesse os olhos pelas palavras ele estabelece uma relação com o autor como se um visse todo o interior do outro, e partilham da mesma sensação, até mesmo da imagem criada com a organização ideal do que foi lido.

Escrever é respirar. É sentir cada letra saindo de si como um suspiro, por vezes de alívio ou angústia, e quem escreve sabe que isto propicia uma produção de serotonina com inegável bem estar consequente. Quem escreve vive mal quando não o faz, ou quando perde a frequência com que o fazia e ao retomar o ritmo é como se ressuscitasse de um mundo obscuro onde é muito difícil respirar. Por isso escrever é respirar.


Por fim, fazendo analogia às funções vitais como eu havia intentado, escrever é pensar, de forma a digerir melhor o que se vive. É sentir, com todos os órgãos que se possa usar, e sobretudo respirar, configurando um conjunto essencial a um outro verbo: viver.



Viver!
Isso sim é escrever.








Inté.

sábado, 20 de junho de 2009

Perdas e Ganhos I

Das coisas que a vida ensina






Não tinha isso de ir direto ao assunto. Era cautelosa, racional, calculava todos os riscos e as consequências, via os prós e os contras e só depois atacava. Tudo bem que, quando o fazia, não errava o alvo, mas o difícil era ter o alvo até o fim desse cálculo todo.

Todo racional sabe que o medo de arriscar faz com que perca a maioria das oportunidades, mas não dá pra ir em frente sem estar seguro de alguma coisa (de si, pelo menos).

Sua discrição, seus detalhes milimetrados a fizeram perder mais uma vez, e o pior, para pessoas próximas. Isso que era mais doloroso, perder para quem está ali do lado, que é com quem a gente menos se preocupa. Talvez essa seja a falha: excesso de confiança (nos outros).

Mas sera que é fácil assim mudar e passar a ser mais atrevida, menos cautelosa?
Não, não, acho que não. Ou então já o teria feito e contado as vantagens aqui, neste lugar de desabafo.

Queria reticências, não só no texto mas na vida, o que não faz muito sentido diferenciar já que o texto pode refletir boa parte do que se sente na vida. Estou cheia de pontos, vírgulas e frases curtas, desesperançosas. Nem sei ao certo o porquê de continuar uma frase... é como um suspiro, daqueles desanimados ao fim do dia quando você vê que não fez muita coisa produtiva.




Ahh, desisto!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Baú


É impressionante como nós conseguimos nos perder entre as nossas próprias conquistas.
Perder-se no meio do que se tem.
Há controvérsia maior?








Inté.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Ultraje que é ser Humano

Já pensaram que a pior ferramenta que poderiam ter invetado para nós foi ser racional e sensível ao mesmo tempo?


Imaginem só que a todo milésimo de segundo permanecemos numa confusão infindável entre o que nos é conveniente e o que realmente agrada, e tudo o que nos faz ser confusos é instrínseco, nasce conosco e, inacreditavelmente, ser confuso é o que nos faz inteligentes! Haja contradição...
Pior que isso é saber que não existe ser humano desprovido de sensibilidade, por mais ríspido e frio que possa parecer, de alguma forma ele já sofreu e já amou. Aliás, amar, esse sim é o ultraje maior. Amar além de ser humano, confuso, contraditório.
Nós vibramos, suspiramos, flutuamos ao ver alguém chegar todo iluminado como se fosse o sol do nosso sistema solar e segundos depois estamos repensando nossas prioridades, sabendo que aquela é a maior mas duvidando da importância de ser e sentir-se pleno e amado.
Por isso é que gosto das máquinas. O que é ser humano cheio de dúvidas e surpresas, dependente do resultado de multiplicações e somas de sentimentos alheios junto aos seus próprios, diante de um robozinho complexo com uma pré-programação simplérrima que o faz decidir binariamente pela opção mais sensata?!
Ser humano (ou ser confuso, dá no mesmo) é ser uma constante ameaça de decepção própria ou não, ou quem sabe as duas ao mesmo tempo - uma causando a outra - de forma que tudo parece ruir repentinamente, e no próximo 'de repente' o tudo volta a se erguer da forma mais encantadora possível, ainda mais que no instante anterior.
Fazer o quê, isso é que é existir.









Inté.

Florida

...




Não há coisa mais repetida que falar de flores.
Todo mundo sabe da beleza, delicadeza, perfume com que elas preenchem qualquer lugar onde as joguemos. Talvez até um lixeiro repleto de coisas pútridas e fedorentas fique um tanto charmoso se jogarmos flores nele.

Agora outra coisa comum é fazer metáforas com flores. Sempre associadas a mulheres ou sentimentos. Sempre.

Por que não se fala de flores e filhos? Será que ninguém compara a dor de parir um filho como um desembainhar de espinhos por um talo até que se chega às pétalas, como se parisse uma flor? Não gosto que filhos saiam de flores, como é de praxe.

Flores são sempre ligadas a presentes belos e prazerosos, a coisas surpreendentes que nos fazem sentir especiais, amados, e amar infinitamente mais, como se cada flor multiplicasse a nossa quantidade de sentimento por ele mesmo, resultando um amor (caso seja este o sentimento em questão) adimensional, maior que qualquer universo imaginado.

Mas, como não compará-las à partida de alguém?
Uma flor pode muito bem nos lembrar que algo de bom foi arrancado de sua raiz, foi separado do que o nutre, e sua beleza e tudo o que lhe é inerente acabará sem que a proximidade do indispensável possa manter tudo isso. Contudo, há sempre milagres que fazem flores durarem bastante sem perder sua magnitude, mesmo que elas fiquem ressecadas marcando páginas de livros, mesmo depois de muito tempo, elas são bonitas pela vida que tiveram. Mais que isso, são muito mais belas pela vida que representam, pela beleza da lembrança, pelo perfume de saudade que vem sempre acompanhado do tal amor ao qual um dia foram sinônimos.

Isso. Saudade.
É exatamente isso que elas, as flores, querem falar.
São, constantemente, uma saudade que existe ou que já se está certo de que existirá. Elas são presente de chegada ou de partida, pois mostram que tudo o que arrancado persiste ligado de alguma forma ao lugar de onde nasceu. Um amor, por exemplo, embora deixe de ser viçoso e vibrante, permanece belo e sempre, eternamente, preso ao coração que o pariu, como um filho. Primeiro com a dor dos espinhos, depois a emoção e a beleza, imunes ao tempo.

Enfim, tudo que é dor costuma estar ligado à partida. E se fizermos uns joguinhos de palavras, tudo que é dor, a flor que é um tudo, tudo que é flor, é também ida.

Tuda na vida, inclusive ela mesma, remete a uma flor.
Flor=Vida
Flor+Partida
Florida





Inté.

terça-feira, 3 de junho de 2008

O Querer

É que querer algo é tão complicado quanto não querê-lo.


Pois não é querer uma decisão que deixa de lado as outras possibilidades, os outros quereres?
E aí vem tudo o que poderíamos ter escolhido como que vingando-se através de uma insatisfação, uma dorzinha na consciência e uma ansiedade por outra chance de escolher, aliás, muitas chances, para que se possa experimetar tudo o que há para ser provado, e ainda que não seja possível satisfazer-se com algo, mas tudo terá sido tentado.
Não querer é também difícil por ter um vazio inerente, uma não-vida que deixa-nos à parte de quaisquer aspectos humanos.
Somos feitos de quereres e cada desejo nosso nos delineia de uma forma diferente e evolutiva (involutiva, às vezes). Nossos intentos são frutos de nossas percepções, e seus processos bem como seus resultados podem levar-nos a validar ou substituir nossos conceitos.


Querer e não querer são complementares e necessários. Porque se só quiséssemos, nada faríamos, e se só não quiséssemos, nada seríamos.












Inté.

(É uma falta de censura que me faz postar de tudo aqui, independente da qualidade ou falta dela)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

E o que posso ser?

Definir nossa identidade não é um processo rápido e nem óbvio. Envolve tudo o que se entende por reconhecimento social, aceitação, aprovação, satisfação. Está relacionado com a maturidade, trazendo uma nova fase de decisões e atitudes mais preocupadas com suas consequências.
Talvez construir esta identidade, especialmente a profissional, seja achar-se em meio à sociedade como um ser crescente e capacitado, que busca realizar seus anseios de auto e alter-reconhecimento fazendo algo com o que se identifica ou no qual vê um objeto de desejo, como uma determinada característica de uma profissão.
Apesar de parecer fácil compreender qual é este objeto que simboliza o que se deseja ser, limitar-se a um conjunto pequeno de características comuns, uma escolha profissional, só é possível depois de se "sobreviver" aos conflitos de auto-percepção, aos conceitos que são aos poucos formados, sempre pondo em dúvida o que se é e o que se quer ser.
O desafio sofrido e cheio de pelejas é percorrer este caminho do amadurecimento, em que se deixa de ser o que a sociedade impõe ou deseja e se passa a ver-se como membro dela, com desejos e cognições próprias, percebendo-se individualmente, porém sem deixar de sentir-se um ser social.


E como se faz para perceber-se? Como reconhecer meu lugar no espaço social? Quando poderei me limitar a uma profissão? Quando poderei escolhê-la?








Tempo. Essa é a parte difícil.

terça-feira, 25 de março de 2008

Da Loucura

(Uma homenagem a uma amiga...)



Ela vem toda curvilínea, seduzindo, inquietando, conquistando e surpreendendo.
Quando menina, inspira andares saltitantes, estar ativo, estar presente, brincadeiras e molecagens. Se instala como se nada quisesse e não fosse lá tão relevante, chega leve e começa aí o seu domínio.
Vai crescendo e tomando tudo o que há por perto, sem hostilidades ou sequer força, ao contrário, tudo vem-lhe disposto a ser dominado, por encanto e interesse no que pode ser lucro ao juntar-se a ela.
Conquista todo tipo de coisas, e são diversas as reações, produtivas ou não, aceitáveis, ou não.
Vem com conceitos que não são previsíveis, que não são nada inertes, sobretudo inerentes. Um pouco de incoerência para dar um ar duvidoso, um pouco de certeza para dar um tom de equilíbrio.
Mantém-se discreta apenas enquanto lhe convém, para facilitar a aproximação. Então deixa-se expôr na sua mais bela forma, tomando tudo o que é tido por beleza e cor, tornando-se contraditória no que se refere a definição, pois é grande e singela, forte e meiga, tem de tudo o que é necessário para conquistar, e todo o resto vem de brinde para manter.
Quando olha, seus olhos são todo o céu, que tudo observa mas nem tudo é de interesse. São de todas as cores e refletem o que os reflete, fazendo da reciprocidade a sua natureza. Têm um brilho que, por vezes, ofusca, e em outras, realça.
Anda como se na cena houvesse um plano de fundo harmonioso, e uma trilha sonora sensível e envolvente, onde num momento todos a querem, e num segundo não lhe podem mais.
É instável, mas não volúvel. É intensa e pontual, com umas frivolidades poucas para intervalar.
Difícil determiná-la, definir o indefinível, porém mais difícil é não querê-la próxima, não adimirá-la, não apaixonar-se pelo tudo que é ela.





Pra RAQUEL!!!

Inté.

sábado, 15 de março de 2008

Idéias e Limites

É engano se alguém disser ser capaz de exprimir tudo o que sente.
Primeiro, o que se sente não foi feito para ser transcrito em palavras, como o verbo já diz claramente, deve ser sentido e não entendido. Ao passo em que é entendido, deixa de ser sentido, pois não podemos dizê-lo exatamente como é, portanto, dizemos algo 'arredondado', que é apenas próximo e não exato, e ao dizê-lo acabamos por acreditar no que dizemos, e senti-lo, deixando o sentimento inicial ser sobreposto.
Segundo, quando sentimos, é tudo tão complexo que nem nosso vocabulário interno, composto de idéias e imagens, consegue interpretar fielmente os sentimentos. Por isso são abstratos, mas não são somente isto. Não são nuvens, não são sombras; não são coisas intocáveis apenas. Quando sentimos qualquer coisa, desde uma breve sensação ao ver uma combinação de cores a sentimentos tempestuosos como paixões ou mesmo asco, nos vem um turbilhão de tentativas de identificação, vamos comparando-o a tudo o que já vimos e vivemos e , na maioria das vezes, o resultado é 'inconclusivo'.
Somos feitos do que sentimos e não devemos tentar entendê-lo. Entender-se é simplificar-se. É deixar de ser original e indescritível para se tornar o que foi dito, o que foi dissimulado. Torna-se um personagem ao invés de um "alguém", posto que, por haver um roteiro de experiências e reações determinadas, já se sabe o que deve ser dito e sentido.
Creio ser este o propósito encoberto das "personalidades". Seja astrológico, seja científico, não importa, a partir do momento em que você se identifica com algo, torna aquilo sua auto-definição, descartando as dúvidas tão essenciais ao crescimento e à complexidade.
Ser complexo não é ruim. Nasce-se complexo e o grande desafio ao longo da vida é tornar-se simples. Não por ter descoberto todos os segredos ou sanado todas as dúvidas, mas por aceitar-se um ser interrogativo e ignorante. Isso é que é ser 'humano', e é o que o 'ser humano' mais deseja.
"Por isso gosto das entrelinhas..."




Inté.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Para definir o Amor - (Parte II)

Algo Hipotético

O amor é uma conjetura, e se permite ser duvidado, julgado e negado. Ele é uma opinião com fundamento incerto, uma suposição. Suposições são coisas presumidas, baseadas apenas em probabilidades ou aparências e sem provas concretas de sua existência ou veracidade. Portanto, amor, como um substantivo abstrato, encaixa-se nessa definição.
Acreditamos no Amor, em parte, por sermos condicionados a pensar de forma padrão, e pensamos que para sentir-se bem é necessário ser comum, ser normal em relação aos demais, sentir coisas parecidas e vestir-se seguindo as "tendências". As escolhas, em sua maioria, só são feitas depois de postas sobre esta base modelada, e comparadas, superficialmente. Podemos, inclusive, observar que as pessoas mais comuns são como decalques umas das outras, com as mesmas histórias e os mesmos objetivos, contudo muitas delas não se percebem como um mero instrumento de trabalho, acham que estão felizes e realizadas e podem morrer pensando isto, sem ter tido critérios ou diferenciais relevantes.
Neste caso, o Amor é representado pelas escolhas, como alguém para dividir a vida e filhos, ou um relacionamento familiar, ou até mesmo os namorados com poucos dias de convívio e que se sentem bem um com o outro. Dificilmente se pensa no que é representativo, no que faz mesmo diferença e que muda o modo como se vê as coisas e que se aceita-as, ou não.
Esta é mais uma face deste caldeirão. O Amor que é visto amplamente e em suas particularidades, ao mesmo tempo. Um sentimento que é na verdade um conceito plural que une os demais. O Amor não é uma ilusão, mas também não é um substantivo simples, que se relaciona a uma só coisa dotada de características.
Há os que sabem que o Amor é muito mais do que se diz por aí e ainda assim acreditam nele, em sua capacidade de convencer e mudar as coisas, além dos sentimentos despertos e ligados à ele que só fazem bem. Entretanto, alguns deparam-se com situações em que é difícil valorizar tudo o que acontece e, ao perceber que amar não é o que se imaginava, e sim algo tão vasto que inclui todo o bem e mal e mais condições, escolhas e consequências, prefere-se não acreditar nele.
Não crer no Amor não significa 'não Amar'. Suponho que seja apenas uma forma de fugir ao padrão, de ter suas características próprias e viver tudo o que é 'Amor' simplesmente com outros nomes.
Amar não é uma escolha. Todo ser humano, talvez até animais irracionais, estão suscetíveis a este mix de simples e complexo que é o Amor. Não importa que idioma fale ou se é apenas uma tradução sonora de algo que se sentiu, ali há Amor. Não se foge dele, ainda que seja extinto do vocabulário ou da lista de convicções. É congênito, crônico e irreversível.





Inté.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Nosso Valor e o Mundo (Ph.)

Citarei alguns 'processos filosóficos' que andam me rondando. Não para demonstrar egocentrismo, mas para talvez achar alguém que se confunda de vez em quando com as mesmas questões... Alguém que compartilhe estes nós... (b.Lui.)

Tudo anda no devido tempo, cada coisa na sua velocidade, os amigos que vêm na hora certa, as escolhas que mesmo difíceis nos fazem crescer... E então depara-se com uma situaçãozinha frívola que te faz repensar tudo o que te é importante.
É como levantar de um sono profundo em que não se sabe ao certo onde está ou o que fazer, não se sabe a idade, nome, profissão... Tudo some e se transforma em dúvida; o que se sabia se contorce e o que se almejava se distorce. Surgem perguntas, questões, ou filosoficamente, 'processos'.
Acreditar em algo predisposto é mais fácil, mas compreendê-lo nem sempre é possível. Cresce-se achando que aquilo não é só um hábito, mas um conceito, uma atitute; toma-se-o como uma particularidade pessoal, uma característica própria e fecha-se os olhos para a trivialidade que o é.
E então vem o choque! Dar de cara com alguém que pensa distintamente e que te prova com argumentos irrefutáveis que aquilo é válido, embora haja exceções, que no fim das contas são o que o torna uma verdade. Daí começam as fases... Branco, tristeza, dúvida, certeza, revolta, dúvida...
"Eu sou porque penso".
As dúvidas não são traidoras, elas nos mostram que não estamos sempre certos e que há mais a ver do que nosso campo visual permite. São imprescindíveis para que se embase algo, já que as certezas são indeferivelmente fruto das dúvidas, e as certezas e as dúvidas juntas são as respostas, ou 'produtos'.
Um tipo específico de questões, as 'sociais', creio eu, são mais produtivas externamente, porque agem diretamente em nossa postura diante dos outros e de nós mesmos. Tomo como dúvidas sociais aquelas que dizem respeito à nossa ligação com a sociedade: comportamento, aceitação.
O maior de meus processos está relacionado com o "Valor".
Penso se o valor da minha postura, das coisas que faço e que digo, é o mesmo que imagino, pois, se obtenho o resultado esperado, será que o valor também foi o esperado? E qual o 'meu' valor diante do Mundo? O que pensam os amigos, os não-amigos, os conhecidos em geral? O meu valor é definido apenas pelos meus atos e minhas escolhas? E o que penso, tem valor? Pensar num nível não tão alto me faz ter um valor que o acompanhe? O que eu considero ser realmente o valor de algo? E as coisas às quais dou valor, serão mesmo importantes, sugestionáveis?
Entristeço-me quando percebo que não vi tudo o que podia, ou o que deveria. E então revolto-me por achar que não sou obrigada a ver o que devo, pois quem disse que é meu dever saber e entender tudo aquilo? E vêm mais dúvidas... E certezas incertas, que não duram.
Prefiro as coisas momentâneas, pensadas uma de cada vez. Se for possível pensar no valor de cada coisa individualmente, talvez a ligação entre todas seja mais nítida, e a importância delas para o "Meu Mundo", o mundo que eu faço com meus sonhos e atitudes, seja melhor definida.






Inté.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Para definir o Amor - (Parte I)

Numa de minhas conversas terapêuticas fui perguntada sobre algo que considerei 'subjetivo demais' para ser respondido:
Para você, o que é o Amor?


Pois aqui vai uma tentativa de resposta. Ou meia-resposta.

Creio que o Amor é um misto de inúmeros outros sentimentos, que vão de muito bons a insuportáveis, cada um em sua medida, como uma receita culinária em que o estado de espírito de quem faz e as condições dos ingredientes são o segredo e o que dá o sabor.
Como algo multifacetado, ele vem disfarçado e, quando se mostra, dificilmente é logo reconhecido. Costuma agir em silêncio, dominando cada célula do corpo até que é notado quando já tem dimensões incalculáveis. Prova disto é que não se encontram pessoas que digam com certeza: "estou começando a amar..."
É comum que seja associado à Paixão, pois são mesmo bem parecidos superficialmente, contudo o que motiva um a nascer e ser cultivado não vale para o outro. Mas esta não será discutida agora.
Vem também como o Afeto, e é deste que mais gosto, já que pode ser tido (sentido) por muitos ao mesmo tempo, e quanto mais nos dedicamos a ele, mais nos sentimos amados e protegidos.
Este é talvez o mais importante, e considero-o fundamental, a base para que se saiba lidar com os outros. Diante das outras formas de amar, torna-se a mais simples, fácil de ser descoberta, criada, imaginada, e o melhor de tudo, durável. É também conhecido como carinho ou amizade.
Dele podem nascer outros tipos de amor, e de outros sentimentos que vêm em conjunto e nem sempre são bem vistos, como o ciúme ou a inveja.
A Afeição é uma passagem característica, um amor transitório, que inicialmente é menos influente. É uma espécie de amor ainda 'verde', que começa a brotar e se mostra como um bem querer, uma boa companhia, uma conversa agradável... Deve ser bem cuidada para que não tome um rumo doentio, como certos amores egoístas que se negam a dividir o objeto amado com qualquer outro sentimento.
Acredito na Afeição como o melhor 'prospecto' de amor, porque ela sempre traz sensações boas, e gera boas ligações, grandes amizades e demonstrações de carinho. Talvez as maiores dificuldades relacionadas a este tipo de Amor sejam o reconhecimento, controle e manutenção. Ainda assim é um dos melhores investimentos psicológicos que se pode fazer.



(To be continued...)


Inté.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O que denota a Saudade (ou Vírgulas)

SA:U.DA.DE

Substantivo feminino.
1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisa distante
ou extinta. 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido.


Porque assim como quase tudo o que é feminino, tem uma suavidade e uma destreza, e é capaz de ferir a golpes sem usar sequer movimentos bruscos ou armas. Ela chega como brisa, que vem de leve, despercebida, anuncia os ventos fortes e as chuvas, vai crescendo e ganhando espaço, até que domina, dissolve.
A saudade é feminina e se completa quando encontra o s.m. 'homo sapiens', e com ele vive uma paixão, daquelas que pouco se entende no início e pouco se sobrevive no final. Mas ela é contínua, e este final é ilusório. É uma linha que chega perto do infinito, e pode ter altos e baixos, mas nunca um fim. Esta força penetra, interage, chega a fazer parte de nós. Nos modifica, melhora, e às vezes destrói. (reconheço a rima pobre, mas minha criatividade se recusa a voltar de férias)
Apesar deste domínio, acredito que pode ser direcionada, usada para o bem, para refletir e crescer. Pode até ser um estímulo para que se tente novos contatos, novos amigos, novas conversas... Não com a intenção de curar, pois saudade não é uma doença, mas algo que vem junto com o afeto, um complemento, uma certeza.
Sentimos-a até mesmo sem saber da afeição que cultivamos, e é ela que nos ajuda a descobrir o que é importante, seja isto momentâneo ou para toda a vida. Serve como um instrumento de medição proporcional, que quanto maior for, maior é o que representa. Muda nossas ambições, imagens, percepções. Transforma defeitos em qualidades e aproveita as mínimas coisas boas que possam existir.
Saudade é uma tristeza sem totalidade, pois não é produto de decepções, tampouco só de alegrias. É uma dor aceitável que não nos impede de viver. É inspiração, seja qual for a arte, e rende versos e traços, cores e caras. Grande a ponto de ser inconfundível, mas confunde sempre quem a porta e carrega. Não se sabe se é uma falta, uma dor ou ansiedade e não há quem não a sinta. Não se pode evitá-la.




Inté.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

"O que pensais, passais a ser"

Por trás de nossas vitórias e derrotas há sempre um motivo, algo que nos levou a tentar, acreditar que seria possível, mesmo que não fosse. Algumas vezes este motivo é um sonho, outras, apenas um desejo.
Ambos são comumente confundidos por se apresentarem de forma parecida: uma vontade. A diferença mais notável é o que se faz para realizá-los.
Os desejos são mais voláteis, menos duráveis. Não sobrevivem a muitas coisas. Podem ter fim tão simples e rapidamente como surgiram. São, geralmente, frutos de algum incentivo ou momentâneos, mas, mesmo que sinceros, não nos fazem ter força suficiente para superar tropeços até que eles se concretizem.
Sonhos, pelo contrário, são etéreos, elevados. Parecem conter nossa essência, e a delineiam. Nós os temos durante o sono, sempre cheios de aventura e raramente com alguma lógica de continuidade, pois são um misto de imagens gravadas em nossa mente, e nos dão idéias, nos ajudam a ter outros sonhos. Os sonhos que vêm das idéias são como um consenso interno. Nossa mente reúne as lembranças e os desejos, seleciona os de maior importância de acordo com o que foi visto e vivido, analisa como podem ser ligados e gera um outro tipo de sonho, uma aspiração. Este é o que nos impulsiona, é nosso estímulo próprio às buscas intermináveis de realização e felicidade, e é ele o grande responsável pelo que seremos durante a vida. Apesar de ser a imagem que queremos para o futuro, é o que acontece no caminho que nos desenha, e nos limita. É como lutamos pelos nossos sonhos que nos define, e só o fato de lutar já nos faz fortes e capazes de alcançá-los.
Talvez sejamos julgados pelo que sonhamos, o quanto é algo distante ou a forma que achamos para conseguí-lo. Contudo, quem se preocupa em correr atrás de seus próprios sonhos não será raso a ponto de ficar avaliando os sonhos alheios. Salvo se lhe forem um estímulo, uma idéia. Aliás, é isto que os sonhos produzem: idéias. Elas são o essencial para que se desenvolva a inteligência, pois são a materialização do que absorvemos, do que nossa sensibilidade foi capaz de consumir.
Sonhar é importante na construção do ser. Quanto mais se sonha, mais se aprende sobre si mesmo e sobre o mundo. ("O seu mundo é do tamanho dos seus sonhos") Se seus sonhos são grandes, grandes coisas você quer do mundo, e grandes coisas lhe serão possíveis.
Por isso, concordo com Gandhi: "O que pensais, passais a ser".


Inté.