Um dos maiores desafios a quem escreve é pesar e resumir em um simples texto todo o turbilhão de emoções que se está sentindo. Ainda assim, quando se escreve é feito um convite para que quem lê viaje pelos nossos momentos, pelas sensações as quais estamos tentando descrever.
Ninguém é obrigado a amar do mesmo jeito.
Sei disso. Sei que passamos por experiências incomparáveis, temos personalidades distintas, gostos estranhos e complementares. Sei, ainda, que nos aproximamos muito mais por achar que o outro seria capaz de suprir as lacunas que temos, de viver o que não pudemos e nos realizar quando dessa forma de um completar o outro, feito um quebra-cabeças.
Por vezes isso até funciona. Eu ganho os muitos amigos que você tem, sua extroversão, você ganha a minha concentração e determinação. A minha profundidade.
Mas, imagina só: se eu sou assim tão profunda, severa e sensível, qual será o volume de emoções, sensações e expectativas que carrego no poço que é a minha alma? E se fôssemos, então, compartilhar tudo que somos e temos, como você comportaria metade do meu ser se não cabe na sua leveza e facilidade? Como poderia eu caber nessa sua vida que é tão simples e feliz como uma gota de orvalho que escorre saltitante num campo florido?
Não é que eu prefira sofrer por quase tudo. Eu prefiro mesmo é viver tudo com toda a intensidade emocional possível, com toda a minha essência. Não é fazer coisas impensadas, ser vida louca nem nada... É simplesmente viver e sentir de verdade, com vontade, com doação, o que me proponho a viver.
Às vezes sinto que não caibo na sua vida. O espaço que você tem pra mim é de toda a qualidade, com tudo o que eu sempre sonhei, mas não cabe minha bagagem. Não cabe o vestuário da alma que carrego comigo.
Você não tem o meu jeito de amar e querer gritar e pular por aí, mostrar a todo mundo, fotografar, pintar, desenhar, registrar de todas as formas... Seu amor é discreto, contido, disfarçado. É versão de bolso.
O meu é enciclopédia.
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