Era essa questão de não conseguir distinguir entre o racionalismo de sua essência e os rompantes de intensa necessidade de autoconhecimento que o faziam não saber quem realmente era. E isso é que o fazia ser quem ele era.
Cada uma das excentricidades de um perfeccionista fazia com que se sentisse mais seguro sobre suas escolhas e perspectivas. Estava ali trabalhando, certo sobre os resultados que cada um dos cálculos teria e sobre o que significaria para o empregador. Vivia nesta rotina de calcular, verificar, estudar os gráficos, predizer coisas.
Predizer coisas. Esta parte dele o fazia muito mais que um humano comum. Ele podia sentir as respostas, prever as ações, como se conhecesse de dentro para fora o que ou quem estava diante dele. Era como um arrepio quando o fazia pois o mistério sempre foi algo excitante e, para ele, soava como um absurdo ter essas características disputando entre si dentro de sua mente.
Era como ter duas almas, ser duas almas ao mesmo tempo... Algo estava sempre ali desafiando a coerência e lógica às quais tanto se apegava. Ele tinha essa outra alma, essa parte intensa. Tanto que cada sensação pesava e doía como se estivesse preenchido inteiramente por ela. Ele era a própria emoção que sentia. O lógico o fez ficar confuso, e por isso ele se sentia vivo.