sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Dorothy #07

A vendedora de máscaras





Mais uma surpresinha: não é que aparece no meio do caminho da sonhadora uma moça com uma cesta vendendo alguma coisa?! Imagina só, a tal senhorita não tinha rosto e sim centenas de máscaras que usava conforme a necessidade de envolver e convencer alguém a comprar. A princípio isso até parece meio hostil, alguém que usa máscaras... Mas se observarmos mais sutilmente o que rodeia essa situação talvez até nos comovamos.

A menina, olhando as várias máscaras oferecidas, começou a absorver o que pôde das reações e das palavras da vendedora sem rosto. Foram conquistando-se uma à outra até que a senhorita da cesta conta algo do seu passado. Um bruxo chamado Cronus havia lhe roubado a face e enfeitiçado o seu destino para que ela perturbasse a todos que cruzassem o seu caminho e lhes vendesse máscaras, fazendo-os deixar de ser sinceros e autênticos. Ela não fazia o que lhe foi mandado, uma vez que achou muito cruel que tantas pessoas fossem destituídas de sua espontaneidade, então preferiu pagar sozinha vagando por aí com várias máscaras mas sem um rosto próprio.

Ela aprendia com cada situação a máscara que deveria usar, e assim seu rosto sem traços ia se adaptando de uma forma que até podíamos ver expressões sendo criadas. Era na verdade uma moça muito mais ingênua e frágil do que parecia, alguém que assustava com a aparência e encantava com a essência.

Em determinados momentos a buscadora até sentiu-se diante de uma mulher dissimulada e manipuladora, contudo a sensibilidade que apareceu por diversas vezes a fazia mudar completamente de opinião. A menina, então, disse à vendedora que faria o que fosse possível para ajudá-la com o feitiço, e que leu no seu manual que qualquer magia, seja do bem ou do mal, pode ser alterada com a força do sentimento, com a existência do amor. A moça disse que não sabia como poderia encontrar o amor já que ele nunca a reconheceria assim, sem rosto. A resposta foi a seguinte: "O amor não é cego, mas os olhos que usa para ver melhor do que qualquer visão afiada são os do coração. Não importa o que você é por fora, o amor pode te ver como é por dentro, e é assim que você vai ser reconhecida e se libertar".

Na hora pareceu meio clichê essa coisa de olhos do coração, mas a verdade é que nem sempre a razão define sozinha nossas reações, ela estará sempre aliada a uma intuição, a alguma emoção. A moça era apenas uma buscadora tanto quanto a personagem principal deste conto. Ela buscava descobrir quem era, descobrir o quanto deveria se emocionar ou ser incisiva, procurava aprender a direção mais sensata a seguir. Tinha algo em comum com a menina, e isso as uniu.

3 Sementes:

Ninha Costa disse...

Amigaa,nunca mais estive por aqui que saudades deler o que você escreve.Poxa adoro ficou muito bom, e tem uma boa lição de moral.

Adoro o q tu escreve minha amorida.
Xero :**********

RiC disse...

um bom blog.
to senguindo a partir de agora.
:)

Neto disse...

Não sei pq.. mas acho que conheço alguém parecido com a vendedora de máscaras...