Marjorye
Dentre as coisas que encontrou no seu caminho, uma das mais surpreendentes para a menina foi uma moça com características, digamos, peculiares.
Imaginem que a tal criatura vinha de outro planeta, e podia mudar o tamanho conforme sentisse necessidade. A princípio, ela era tão grande que podia engolir o planeta Terra sem a menor dificuldade. Grande e assustadoramente delicada, o que não era nada proporcional.
Tinha cabelos ruivos alaranjados, da cor do sol quando se põe, e sua pele mais parecia que se via o céu de um telescópio, um manto coberto de estrelinhas. Tinha formas belas de mulher e tentava fazer caretas que a pudessem proteger, mas, pobrezinha, de tão meiga mal podia fazê-las que ficava ainda mais encantadora.
Quando não sentia-se à vontade, seu tamanho era quase de um grão de areia. Não desses em que se pisa e mal se nota, mas um grão que viaja com o vento e que pode entrar no olho de qualquer um e lhe roubar a visão. A perigosa moça que a menina rapidamente passou a admirar.
De perigosa, mesmo, não tinha muito. Seus olhos tinham um brilho perolado que a fazia parecer mais linda a cada novo olhar, como duas jóias simétricas capazes de fulminar um mundo inteiro ou de reconstruí-lo de um mover de pupilas. Contou que fora um presente para uma deusa de seu planeta chamada 'Rosa', que no planeta Terra também era denotada como divina. Filha, então, de deuses, ela tinha certos privilégios em sua casa, mas queria ser independente e resolveu passear pelos planetas à procura de alguma utilidade. Ela queria era fazer a diferença.
A menina, conversando com a tal deusa dos cabelos de pôr-do-sol, via-se cada vez mais encantada com a sua história e com as afinidades que descobriram e sentiu nascer um amor fraterno pela doce gigante, um elo que as fazia irmãs. Pensavam coisas tão parecidas a respeito deste mundo (note-se que a menina buscadora não se sentia muito à vontade em relação aos demais terráqueos) e riam ou choravam com as situações menos esperadas. Havia uma sintonia inexplicável e que as fez planejar até seguir juntas boa parte do caminho de buscas.
Seu nome era uma espécie de enigma, pois parecia uma mistura de Marjory e Marjorie, que, em idiomas diferentes, pode significar "Pérola" ou "A suprema". Aliás, ela era um completo enigma, fosse no seu jeito de se vestir ou de falar. Não havia estereótipo conhecido que se adequasse à grande moça, não só porque ela fosse especial, mas não havia neste mundo, também, alguém sequer parecido, quem dirá igual. A menina concordava em chamá-la de pérola, tamanha a raridade e a admiração que provocava (às vezes chamava-lhe de suprema só para agradar).
Passaram um bom tempo falando de suas expectativas e de seu passado, ambas demonstrando sua opinião sincera uma sobre a outra, pois já tinham tanta confiança mútua que nada lhes podia atrapalhar. Criaram novos mundos, idéias, formularam sonhos que poderiam realizar juntas (e mesmo que não o fizessem, só o fato de ter pensado em estar juntas nesses momentos especiais já valeu para a menina boa parte de sua busca, como um presente que foi achar uma companhia tão especial).
Deixaram-se ir, então, prometendo retorno para contar todos os detalhes de seus caminhos percorridos e compará-los, rindo sempre, como adoravam fazer. A Deusa-Pérola-Suprema, num gesto que emocionou a menina dos cachos, deu-lhe algumas de suas pérolas (que eram sua partícula mínima estrutural - do que ela era realmente feita) em forma de pulseira, para que levasse consigo apenas como empréstimo, garantindo que se encontrariam novamente.
E assim seguiu a saltitante, lembrando-se a cada segundo e a cada experiência que adoraria contar tudo a Marjorye e parecer mais feliz com pequenas coisas do que tanta gente só consegue sonhar ser.
3 Sementes:
Eu me identifiquei com essa tal de Deusa-Pérola-Suprema!!! *-* Só acho que a giganta tinha tantos caminhos que poderia percorrer mas foi justo aquele q teve a sorte grande de conhecar a menina dos cachos. Ooow Deusa sortuda!!! Não tem noçao do tamanho da preciosidade q encontrou de tão grande que é.. maior ate mesmo que ela. ;) Amooooooo!!!!
Pois é a Deusa que eve sorte :)
Adorei gostei mais do que do principe ... Amoridsa vc consegue se superar a cada texto...
Te amo vita .
xero :*
"...fazer caretas que a pudessem proteger, mas, pobrezinha, de tão meiga mal podia fazê-las que ficava ainda mais encantadora..."
Nem imagino como seria essa história se não houvesse o encontro da menina dos cachos e a Deusa-Pérola-Suprema. Acredito, sim, na importância que uma tem para a outra, o modo como as vidas dela se cruzaram e todo o beneficio que adveio desse encontro. Difícil mesmo saber quem foi mais beneficiada... talvez tenha sido as pessoas que as rodeiam e são contagiadas pela alegria das duas quando estão juntas.
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