Ela estava sedenta por novas visões, novas leituras de um mundo que achava ser imaginário. Tudo aquilo, tão envolvente, tão emocionante, não podia ser real! Não cabia naquela vidinha sistemática que ela conhecia.
Ele sabia que ela almejava muito mais do que estava tendo, e que ela sentia que tudo era mais amplo, mais profundo do que se podia ver. Decidiu apostar naquela menina que mal tinha a metade de sua idade, instigá-la a descobrir o invisível. Seria seu legado para o mundo.
Pôs-se, então, a destrinchar segredos de uma vida, frutos de uma sensibilidade adquirida com a experiência e com sua capacidade singular de enxergar as coisas. Falou de conceitos, de como derrubá-los, da melhor forma de interpretá-los. Falou dos enganos, dos julgamentos, enfim, tudo o que há pra ser vivido e percebido (ou não). Queria entrar naquela cabecinha e desatar nós mal feitos, ainda que dando outros nós necessários. Queria, além de tudo, o seu bem.
Cada vez que a via sentada no banco de praça, lendo ou simplesmente estando ali sem algo definido para fazer, imaginava os conflitos que causaria e os possíveis resultados. Mas estava certo de que ela precisava disso.
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