sábado, 19 de abril de 2008

Continho #2 - O atraso

Desta vez ela atrasou-se em suas tarefas e acabou não indo ao lugar que já era seu por direito, por ter sido conquistado. Muito foi perdido naquele dia. Algumas páginas de uma de suas vidas não foram lidas, nem vividas, sentimentos não foram descobertos, amores não foram desejados. Este foi um dos dias mais tristes daqueles tempos, e, o que ela não sabia, é que não foi a única a se entristecer.
Ela acreditava viver só num mundo que inexistia, que pouco podia compreender, mas, mesmo estando em seu próprio mundo a maior parte do tempo, os habitantes de sua realidade desacreditada tinham-na como fonte de luz naqueles tempos de decepções e angústias.
A tinham como uma flor única, uma esperança que sobrevivia à toda aquela mecanicidade. Havia sempre quem se surpreendesse com seus olhares imaginativos, suas expressões doces da vida, como crendo que viver poderia ser algo tão emocionante quanto lia nos livros. Os que passavam por ali todos os dias, ainda que ela não exergasse ou não desse valor, a viam sempre e a observavam, e admiravam, pensando que seria mesmo possível viver encantando-se todos os dias.
Naquele dia parecia que todos haviam saído de casa sem seus corações. Pairava uma aura cinzenta, como que estivesse faltando vida em tudo. Sabiam que algo não estava em seu lugar, mas não sabiam o que, ou onde. Aliás, este não era o sentimento de todos. Uma pessoa em especial sentia a falta daquela menina, naquele lugar. Alguém que a observara por muito tempo, e que ainda tinha dúvidas sobre o que a fazia tão especial.

Nenhum comentário: