quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Dorothy #03

As coisas que encontrou no caminho



O pior de viver uma viagem cheia de aventuras como essa era ter de deixar para trás as coisas pelas quais ela se apaixonava no caminho.

Uma delas foi um príncipe que estava perdido, não sabia do seu cavalo e nem pra que lado ficava seu castelo. Era estranho ver aquela fragilidade dissimulada, pois ela achava que príncipes eram perfeitos, sem defeitos e sem dúvidas. Deveriam ser altos e fortes, românticos, atenciosos, tudo que num mero mortal seria impossível.
Bem, só para começar, um príncipe perdido já era meio incomum... Mas ela ficou curiosa para saber como e por que ele estava ali e não vivendo um conto de fadas como era de se esperar.

Ela primeiro o analisou de longe. Viu suas roupas elegantes, seu porte, seu jeito de estar sentado ali com cara de quem perdeu algo importante, ou de quem procura algo que ainda não teve. Às vezes parecia exausto, outras vezes esperançoso...

Ele então a viu e ela, apesar de atrevida em certos momentos, ficou envergonhada. O príncipe veio até ela perguntar se era uma princesa, mas a moça não pôde alegrá-lo afirmando que era o que ele há tanto esperava. Por alguns instantes pensou, procurou uma forma de o ser, mas percebeu que era apenas DONA de mundos incontáveis, mas não chegou a ser Rainha ou Princesa de nenhum deles. Talvez de um, mas que ela havia deixado para trás numa decisão triste e necessária...

Aliás, ela ainda estava entristecida pela decisão que tomara quando suas atenções se voltaram àquele moço que lhe despertou a curiosidade. Parou por alguns instantes para investigar sobre a vida dele, perguntou-lhe algumas coisas, de onde vinha, o que fazia para sobreviver e como havia ido parar naquele caminho. Parecia que uma amizade cheia de afinidades seria construída, com olhares sinceros e afetos que eram demonstrados tão espontaneamente que chegavam a assustar. Passaram horas conversando, brincando e ela sorria e saltitava ainda mais do que quando chegara ali. Estava feliz por ter encontrado um príncipe e descobrir que de alguma forma eram parecidos. Será, então, que ela não seria uma princesa?!

Surpreendentemente, enquanto conversavam, algo rouba a atenção do príncipe e o faz sair dali quase que correndo, agradecendo tê-la conhecido e por todos os momentos bons que passaram juntos. Pegou sua capa e seu cavalo e seguiu radiante em direção a algo pelo qual procurara por tanto tempo e que, como que por milagre, apareceu ali no seu caminho. Era uma princesa. A sua Princesa. Ele a tomou nos braços e a colocou sobre seu cavalo, como se espera de qualquer conto de fadas, e seguiram na direção oposta à que estava a menina dos mundos.

Um tanto surpresa (ou talvez decepcionada), a menina refletiu um pouco, olhou por vários instantes na direção em que príncipe e princesa haviam seguido, mesmo quando já não se podia vê-los no horizonte, respirou fundo algumas vezes, lembrou-se do que carregava consigo e de seus objetivos, leu qualquer coisa no Manual e seguiu. Fora só mais um mundo. E ela descobriu que ser dona de mundos não significava reinar sobre eles.

2 comentários:

Annie Karoline Feijó Costa disse...

Poxa Amorida me supreende com o seu texto...

Eu adorei o final, na verdade amei o texto...Eu imaginava q não ia gosta pq ela naum ficava com o principe mas gostei muito com a lição que ela aprendeu.

Você t´de parabéns


Ameiii :*

Anônimo disse...

demais, mana...

*___*