segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Dorothy #02

O 1º Desafio



Sua jornada já havia começado e ela ainda não conseguira ver tudo o que havia programado. Sentia-se pesada, mesmo que não estivesse tão presa assim. Tentou seguir no caminho amarelado, andava, observava, tateava centenas de coisas e não se satisfazia.
Era confuso pensar que ela tinha tudo o que sonhara ali ao seu dispor e não estava completa. Tinha a aventura, os amigos, a disposição, a ousadia e coragem, o Manual e todos os mundos que já havia devorado. Muito mais do que qualquer outra pessoa sonhou para si.
Aquilo era revoltante, talvez desesperador.
O que fazer quando tudo já é perfeito?


Ela sabia o que fazer, mas se recusava a aceitá-lo. Não poderia abrir mão do que tão duramente havia sido conquistado e que fora tão bem medido e encaixado em sua vida, como algo com o que se sonha por muito tempo e enfim se consegue. O difícil é continuar apaixonado por isto depois de conquistá-lo, já que às vezes a paixão é mais pela busca do que parece impossível do que pelo objeto real da luta.

Descobriu naquele instante que ter tudo era muito mais duro que sentir falta de algo muito desejado. Pois o vazio que se instala quando já não há o que buscar é tão devastante quanto perder a própria alma. Ela pensava nisto. Admirava os que têm o que buscar, ainda que passassem por um sofrimento arrasador, mas estavam ali movidos por uma ânsia de ter o que queriam, enquanto quem já o tem apenas vive uma quietude, uma conformação. E ela não queria viver assim, já que sua determinação e sede de novas conquistas eram o que tinha de mais visível e forte, e o que a movia a ter tantas idéias e vislumbres.

Meditou e sofreu por longos instantes cogitando as suas opções: ter tudo o que havia conquistado e sentir-se incompleta ou abrir mão de algo que amava muito e ter espaço para voltar a buscar?! Pensou que sofreria qualquer que fosse a decisão, e pesou todo o tempo que aceitou aquele mal estar por achar que tudo já era perfeito e não havia motivo para sofrimentos. Sabia que decepcionaria, machucaria, talvez até matasse alguém por dentro, mas não podia ser mais uma vez altruísta e deixar de lado seus próprios sentimentos. Pesou, pensou, mediu, calculou, desistiu, retomou e, enfim... decidiu!

Olhou para dentro de si, na categoria "Coisas que mais Amo", sentiu o corte em carne viva no seu peito mas escolheu um amor para libertar de si, um amor que não lhe havia sido dado como família ou coisas intrínsecas ao ser, mas um muito forte e muito desejado, que deveria estar ali até seu último suspiro, e estaria, porque ela não deixaria de tê-lo e nem ele de tê-la jamais, pois ela foi daquele amor desde o momento em que ambos se conquistaram mutuamente, e seriam eternos um para o outro, eternamente um do outro. Isso deu-lhe forças para continuar e arrancar do peito uma parte, que deixou guardada num santuário do qual poderia resgatá-la um dia e reintegrá-la a seu corpo.

Esperanças, desejos, medos e milhares de sensações a tomaram novamente, como quando tinha uma nova paixão e corria qualquer risco para vivê-la.
Talvez a perda tenha funcionado.



Talvez perder algo amado seja mesmo uma solução.

3 comentários:

Annie Karoline Feijó Costa disse...

Amigaa.Vc escreve tão bem sai da alma é tão lindo :)
Só q ficou um pouco triste o final eu achei...


Beijos sua FAN E AMORIDA :d

Niih

Silvania disse...

NOssa, vc q escreveu?
Posso pegar esse texto pra mim? Parece mto cmg.
Adorei!

Silvania disse...

Obg, flor!!!
Achei teu blog num post da comu Clarice Linspector...adoro blogs, daí fui olhando alguns q o pessoal colocou la...
Bjaõoo