quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O presente #3

Mágica






O tal menino-homem deixava a menina cada vez mais encantada, e cada vez mais curiosa. O som da sua voz era como encanto de sereia que junto às notas saídas do seu instrumento mágico pareciam carregar a engolidora de mundos para junto daquele ser. Sua pele não se pode descrever bem, algumas comparações como pétalas de flores, leite, pão doce e principalmente lençol são as que chegam mais perto do real (se é que aquilo tudo era mesmo real). Lençol era a preferida da menina, para que conste.

Ela o observou de longe por um tempo, teve receio de se aproximar achando que talvez não fosse capaz de se comunicar com um ser tão rico de detalhes. Tentou enxergar tudo o que pudesse daquele mundo mas seus buracos negros não funcionavam muito bem com este por causa de outro dos seus detalhes: as janelas - os olhos eram tão pequenos que pareciam pérolas brilhantes bem escondidas dentro da concha, e além de tudo eles ainda eram protegidos por uma camada de cristal que caía muito bem com o resto das características.

Ele era mágico, ela tinha certeza.

Saía um brilho de todo o seu corpo, como uma aura, que provocava uma reação temporária de transe hipnótico na qual se pensava estar numa dimensão alternativa e surreal, onde se flutuava como nuvem e existiam apenas o talzinho e a menina dos cachos.
Indescritível. Ilógico. Impossível.





Por gostar de tentar o impossível e para continuar fazendo suas próprias instruções e um dia escrever seu próprio manual, ela se aproximou, e ainda pior... Se comunicou!

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